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Oceanus International School
1 aos 10 anos · Cambridge
Edição 10 · Nov 2026 · Semana 10

Castanhas,
lama e
vento

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Oceanus International School OIS OCEANUS INTERNATIONAL SCHOOL
Edição 10 · Nov 2026 · Semana 10
Fernando Fidalgo
Fernando Fidalgo
Mensagem do Diretor Pedagógico Nacional

O cuidado de exigir. A responsabilidade de educar.

Há quem pense que uma escola tem de escolher entre ser exigente e ser acolhedora, como se a exigência e o cuidado fossem duas realidades difíceis de conciliar. Não partilho dessa visão. Ao longo dos anos, como professor e diretor pedagógico, fui aprendendo que uma boa educação precisa das duas coisas e que uma não faz verdadeiramente sentido sem a outra.

Exigir é acreditar que cada aluno pode ir mais longe. É estabelecer expectativas elevadas, desafiar, corrigir e não desistir perante as primeiras dificuldades. Mas essa exigência só tem verdadeiro valor quando é acompanhada da atenção necessária para compreender cada criança ou jovem, reconhecer as suas capacidades e perceber de que apoio precisa para progredir.

Cuidar não significa facilitar, evitar a frustração ou proteger os alunos de todas as dificuldades. Significa estar presente, orientar, dar confiança e ajudá-los a encontrar recursos para enfrentar os desafios. Por vezes, cuidar é dar uma segunda oportunidade. Outras vezes, é manter um limite ou insistir quando seria mais fácil ceder. Porque educar também é ensinar a lidar com o erro, a perseverar e a assumir responsabilidades.

Este equilíbrio não se constrói apenas na escola. Também em casa se aprende que o afeto e a exigência podem, e devem, caminhar juntos. Uma tarefa adequada à idade, uma regra explicada com serenidade, a responsabilidade de cumprir um compromisso ou o reconhecimento de um esforço são pequenos gestos que ajudam as crianças a crescer. Dizem-lhes, ao mesmo tempo, que confiamos nas suas capacidades e que estaremos presentes para as apoiar.

Na escola, como na família, nem todas as crianças precisam do mesmo em cada momento. Algumas necessitam de ser mais desafiadas, outras de recuperar a confiança, outras ainda de encontrar limites mais claros. Conhecer cada uma é essencial para perceber quando devemos incentivar, quando precisamos de acompanhar mais de perto e quando é importante deixar que aprenda a fazer por si.

Nas nossas escolas, é este equilíbrio que procuramos construir todos os dias, em parceria com as famílias. Sabemos que nem sempre é fácil e que educar exige tempo, coerência e diálogo. Mas acreditamos que o nosso papel não é apenas ajudar os alunos a alcançar bons resultados. É também prepará-los para enfrentar dificuldades, fazer escolhas, assumir responsabilidades e crescer como pessoas.

Porque exigir e cuidar não são duas formas diferentes de educar. São duas dimensões inseparáveis da mesma responsabilidade: ajudar cada criança e cada jovem a tornar-se na melhor versão de si próprio.

Fernando Fidalgo · Diretor Pedagógico Nacional da MB Education

Fernando FidalgoDiretor Pedagógico Nacional da MB Education
Inês Villas-Boas Martins
Inês Villas-Boas Martins
Coluna de Opinião

Castanhas, lama e vento

Diz-se que educar vem do latim educere, que significa conduzir para fora. Pode ser uma coincidência feliz, mas em novembro, com o S. Martinho a 11, é difícil não a levar à letra. Que melhor altura para sair da sala do que quando o chão cheira a folhas molhadas e o vento obriga a apertar o casaco?

Lá fora, a aprendizagem acontece sem que ninguém a anuncie. Uma criança que equilibra um pé num tronco molhado está a calcular o risco. Outra, que descasca uma castanha ainda quente, aprende paciência, temperatura e matéria ao mesmo tempo. A lama ensina que nem tudo se resolve à primeira e que sujar as mãos faz parte do processo. Como guia Montessori, habituei-me a confiar nisto: a criança aprende com o corpo inteiro, e o corpo inteiro precisa de ar livre.

Na creche, estas experiências começam pelo mais elementar: sentir. A lama pode ser rugosa, pegajosa ou escorregadia; a água, fria ou morna, líquida e em movimento. Apertar a terra, afundar as mãos, caminhar sobre superfícies diferentes ou sentir o chão ceder sob os pés são experiências que ajudam os bebés e as crianças pequenas a construir referências sobre o mundo e sobre o próprio corpo. Encher e esvaziar recipientes, observar a água a transbordar, deixar cair uma pedra numa poça ou descobrir que alguns objetos flutuam enquanto outros afundam são pequenas explorações de quantidade, capacidade, gravidade e causa-efeito. O corpo recebe informação, ajusta o gesto e aprende. Não é preciso uma ficha de atividades para que a aprendizagem aconteça.

No pré-escolar, a curiosidade ganha novas perguntas. Porque é que algumas folhas ficam à superfície da água e outras vão ao fundo? Para onde corre a água quando chove? Que marcas deixam as nossas botas na lama? O que muda numa castanha antes e depois de a abrirmos? A criança começa a comparar, antecipar resultados, experimentar possibilidades e partilhar descobertas. Ao brincar com outras crianças, negoceia regras, espera pela sua vez, resolve pequenos conflitos e aprende a olhar para o que o outro descobriu. O exterior oferece um cenário inesgotável para desenvolver a linguagem, a autonomia, a imaginação e a capacidade de cooperar.

No primeiro ciclo, o mesmo cenário pode tornar-se um verdadeiro campo de investigação. Podemos observar uma poça ao longo de vários dias, registar o seu tamanho e procurar perceber porque diminui; comparar a absorção de água em diferentes tipos de solo; investigar que materiais deixam passar a água ou construir pequenos percursos para perceber como ela se desloca. Podemos recolher folhas, classificá-las segundo critérios escolhidos pelo grupo, medir troncos, estimar distâncias ou estudar a relação entre a chuva, o vento e as alterações da paisagem. Surgem oportunidades para formular hipóteses, recolher dados, registar observações, confrontar resultados e rever ideias. A matemática, as ciências, a língua e o pensamento crítico deixam de estar confinados às páginas de um manual: ajudam a interpretar aquilo que acontece à nossa volta.

Em todas estas etapas, há algo que importa não esquecer: a experiência precede muitas vezes a explicação. Sentir a água a salpicar, perceber a resistência da lama ou recuperar o equilíbrio depois de escorregar são experiências que alimentam a consciência corporal, a coordenação motora e a capacidade de ajustar movimentos. Explorar, persistir, lidar com a incerteza e descobrir soluções também contribui para a autonomia, a confiança e a autorregulação. O desenvolvimento humano não acontece por partes isoladas. Corpo, pensamento, emoções e relações crescem em permanente ligação, e o ambiente exterior oferece oportunidades particularmente ricas para esse crescimento.

E o frio? E a chuva? Todo o problema tem pelo menos uma solução: roupa por camadas, botas impermeáveis, uma muda na mochila. Naturalmente, há condições meteorológicas que exigem prudência e situações em que é necessário adaptar ou adiar uma saída. Mas o tempo menos convidativo raramente precisa de ser, por si só, um obstáculo. Muitas vezes, o desafio está na nossa vontade de ficar a salvo de tudo aquilo que, com os devidos cuidados, também nos ajuda a crescer.

E, claro, esta importância não termina na infância. Ao longo da vida, o contacto com a natureza pode continuar a oferecer movimento, estímulos sensoriais, momentos de atenção, descoberta e ligação aos outros. Precisamos de ambientes que nos convidem a sair da rotina, a observar com tempo e a participar no mundo para lá dos ecrãs e dos espaços fechados.

Fica o convite para este fim de semana: um passeio sem destino e sem pressa, a apanhar castanhas e folhas, a ouvir o que o vento tem para dizer. Deixemos que as crianças saltem nas poças, caminhem sobre a lama, façam perguntas e procurem respostas. E deixemos também espaço para a nossa própria curiosidade. Quem sabe se, de regresso a casa, com os sapatos sujos, não ouvimos aquele «Ah! Entendi» que tanto nos faz sorrir.

Inês Villas-Boas Martins · Diretora Pedagógica, Oceanus International School

Inês Villas-Boas MartinsDiretora Pedagógica, Oceanus International School
Centro de Formação São Miguel Febres Cordero Muñoz Entrevista · Centro de FormaçãoFormar quem formaConversa com o Dr. Manuel SarmentoO Centro de Formação São Miguel Febres Cordero Muñoz é o centro de formação da MB Education e serve todas as escolas e centros do grupo. Falámos com o Dr. Manuel Sarmento sobre o que faz, para quem trabalha e o que isso significa para as famílias, e mostramos o dia de formação dos professores a 27 de outubro.Ler a entrevista → Criança a coser uma peça de roupa de bebé Projeto de sala dos 5 anosBorboleta Baby: uma loja pensada pelas criançasCláudia Almeida, sala dos 5 anosLer a rubrica → Criança a tirar as sementes de uma fatia de abóbora Atividade da sala dos 2 anosVivências de outonoRaquel Fernandes, sala dos 2 anosLer a rubrica → Pés de crianças sujos de lama dentro de uma poça Atividade da sala dos 2 anosPés na lama: aprender com todos os sentidosRaquel Fernandes, sala dos 2 anosLer a rubrica → Criança a desenhar num papel de cenário no chão Atividade da sala de 1 anoOs primeiros rabiscosAna Chaves, sala de 1 anoLer a rubrica → Crianças à volta de uma mesa sensorial com lentilhas e feijões Atividade da sala de 1 anoA importância da exploração sensorial na crecheAna Chaves, sala de 1 anoLer a rubrica →
Conselhos do Gabinete Psicopedagógico

Brincar na natureza também é aprender

Com o outono, os dias encurtam e o tempo ao ar livre diminui. Pequenos hábitos em família mantêm o contacto com a natureza, com benefícios para a atenção, o equilíbrio emocional e o desenvolvimento motor.

Creche

Os mais pequenos aprendem com o corpo todo. Tocar na terra, sentir o vento e chapinhar numa poça desenvolvem os sentidos, o equilíbrio e a confiança nos próprios movimentos. Deixe-o explorar ao seu ritmo, com roupa que se pode sujar.

Pré-escolar

Faça do passeio uma descoberta: apanhar castanhas, comparar folhas, ouvir os pássaros. Dar nome ao que encontram enriquece o vocabulário, e a brincadeira livre ao ar livre estimula a imaginação e a cooperação.

1.º ciclo

Lance-lhe pequenos desafios, como subir a um tronco baixo, construir uma cabana com ramos ou desenhar o que observou. Um risco moderado e acompanhado ajuda a criança a conhecer os seus limites e a ganhar autonomia, e o tempo na natureza melhora a concentração na sala de aula.

Ementa da Semana

Ementa da Semana

Semana de 2 a 6 de novembro de 2026

CrecheAlmoço · 5 diasVer
DiaSopaPrato (1 ano)Prato (2 anos)Sobremesa
SegundaCreme de legumesMassa com frango, grão-de-bico, tomate, beringela e manjericãoMassa com grão-de-bico, tomate, beringela e manjericãoFruta
TerçaCreme de couve-florSolha grelhada com batata, salada de alface e pepinoSolha grelhada com batata, salada de alface e pepinoFruta
QuartaSopa juliana de legumesBife de peru com massa, salada de tomateBife de peru com massa, salada de tomateFruta
QuintaCreme de repolhoPerca no forno com arroz de feijão, brócolosPerca no forno com arroz de feijão, brócolosFruta
SextaSopa de feijão-verdeCarne de vaca com batata, salada de alface e beterrabaCarne de vaca com batata, salada de alface e beterrabaFruta
Pré-escolar e 1.º cicloAlmoço · 5 diasVer
DiaSopaPratoPrato vegetarianoSobremesa
SegundaCreme de legumesMassa com grão-de-bico, tomate, beringela e manjericãoMassa com grão-de-bico, tomate, beringela e manjericãoFruta
TerçaCreme de couve-florSolha grelhada com batata, salada de alface e pepinoEstufado de ervilhas com batata, salada de alface e pepinoFruta
QuartaSopa juliana de legumesBife de peru com massa, ananás e salada de tomateMassa com feijão vermelho, abóbora e curgeteFruta
QuintaCreme de repolhoPerca no forno com arroz de feijão, brócolosSeitan no forno com arroz de feijão, brócolosFruta
SextaSopa de feijão-verdeAlmôndegas de carne com batata, salada de alface e beterrabaAlmôndegas vegetarianas com batata, salada de alface e beterrabaFruta

Existe opção de dieta, quando pedida no próprio dia até às 10h00. Para informação sobre alergénios, fale com a nossa equipa. A ementa pode sofrer alterações por motivos imprevistos.

Uma newsletter para viver a escola bem de perto

Porque educar é um caminho partilhado, esta newsletter traz-lhe as notícias, as conquistas e o que vem a seguir, semana após semana.