
A primeira fase da expressão gráfica
Os primeiros rabiscos, ou garatujas, são o começo do desenho. Ainda não representam nada: são movimento que deixa marca.
Quando percebe que o gesto do braço fica registado no papel, a criança descobre que pode agir sobre o mundo e deixar nele um sinal seu. É uma descoberta enorme, e repete-a vezes sem conta.
Desenhar com o corpo inteiro
Na sala de 1 ano, a educadora Ana Chaves estendeu no chão um papel de cenário de grande extensão. Sem os limites de uma folha, as crianças desenham com o corpo inteiro: de pé, de cócoras, de joelhos, em movimentos largos que partem do ombro.
É por aqui que se começa. Primeiro vem o gesto amplo; só mais tarde chega o controlo fino do pulso e dos dedos.
Os rabiscos de hoje preparam o desenho e a escrita de amanhã.
Lado a lado, no mesmo papel
O mesmo papel acolhe as marcas de todos. Cada criança faz os seus traços e repara nos dos colegas, e o grupo explora os materiais em conjunto: as cores, a força com que se pressiona o lápis, o som do risco no papel.
Nesta exploração desenvolvem-se a coordenação motora, a forma de segurar o lápis, a atenção e o prazer de criar.
Como acompanhar os primeiros rabiscos
Ofereça papel grande e lápis grossos, fáceis de agarrar. Valorize o processo e não o resultado: em vez de perguntar «o que é?», descreva o que vê, como «fizeste uma linha comprida» ou «usaste o verde».
O que interessa nesta fase é o gesto, a descoberta e a vontade de voltar a desenhar.
Ana Chaves · Sala de 1 ano